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sexta-feira, 7 de março de 2008

"Ora (direis) ouvir estrelas!"


Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o censo! E eu vos direi, entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do Sol, saudoso e em pranto.
Inda as procuro pelo Céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Via-Láctea - Olavo Bilac

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Estrelas


São tão remotas as estrelas, que apesar da vertiginosa
velocidade da luz, elas se apagam e continuam a brilhar
durante séculos.

Morrem os mundos... Silenciosa e escura,

Eterna noite cinge-os. Mudas, frias,
Nas luminosas solidões da altura
Erguem-se, assim, necrópolis sombrias...

Mas p'ra nós, di-lo a ciência, além perdura
A vida, e expande as rútilas magias...
Pelos sec'los em fora a luz fulgura
Traçando-lhes as órbitas vazias.
(...)

Euclides da Cunha
Antologia de poetas basileiros bissextos, de Manuel Bandeira.